quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Natal Com Muita Paz

Não há caminho para a paz, a paz é o caminho.
"Gandhi"

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Cinzas


Esquecidas ficam as cinzas
No rescaldo deste inferno
Ardemos inteiros
Sugados por negras labaredas
Inferno sem fim
No âmago de nós

Cegos de Luz

Esgrimimos o destino
Com espadas sujas
Das veias cortadas
Com golpes certeiros
E esperamos vencer
Quando vencidos nos vemos

Salpicadas ficam as cinzas
BF



Imagens de um pescador :):)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

domingo, 8 de novembro de 2009

A Saudade é um grito de Liberdade...



A Saudade é um Grito de Liberdade….


Hoje. Num percurso de autocarro que não leva mais de 5 minutos. Logo que entrei os vi. O tipo de passageiros sobre os quais aviso a minha filhota para que não se aproxime, etc, etc… do alto do meu preconceito, da minha mesquinhez. Dois homens, de idade difícil de determinar, que em pé, com a postura de direito por viverem no limbo social, dificultavam a passagem a quem queria aproximar-se da saída. As suas vozes eram sonoras, demonstrando a pouca importância que davam aos outros passageiros. Um deles recordava passagens de uma vida, que fora a sua e que agora ficava longe. As memórias vinham à tona. Entre histórias passadas com os avós em Câmara de Lobos, e considerações sobre a sua própria pessoa, chamou-me a atenção a frase que se lhe desprendeu dos lábios:
“… A Saudade é um grito de Liberdade…” “…porque recordar com saudade é o mesmo que voltar a viver, é como se estivesse lá de novo…”

A minha paragem chegou. Saí a pensar. A frase a martelar na minha cabeça. As voltas que a vida dá. Quantos gritos de liberdade nos entoam a mente sempre que passeamos pelos prados da memória, sempre que sentimos saudades!
BF

domingo, 1 de novembro de 2009

Al Berto /Jorge Palma





tocas as flores murchas que alguém te ofereceu
quando o rio parou de correr e a noite
foi tão luminosa quanto a mota que falhou
a curva - e o serviço postal não funcionou
no dia seguinte

procuras ávido aquilo que o mar não devorou
e passas a língua na cola dos selos lambidos
por assassinos - e a tua mão segurando a faca
cujo gume possui a fatalidade do sangue contaminado
dos amantes ocasionais - nada a fazer

irás sozinho vida dentro
os braços estendidos como se entrasses na água
o corpo num arco de pedra tenso simulando
a casa
onde me abrigo do mortal brilho do meio-dia

al berto
in O medo

sábado, 24 de outubro de 2009

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.

Uma Janela da Minha Infância...
Esta casa, outrora, no meu tempo de menina, tinha vida…muita vida. Era ocupada por uma menina e um menino que comigo brincavam no ribeirinho de água. Hoje, as pedras que serviram de abrigo familiar, dentro das quais tanto brinquei, apenas sentem o leve pulsar da hera que aos poucos lhes vai revestindo o corpo escondendo de olhares. Para além das vidraças, também da minha memória, o Marquito e a Susaninha sorriem. Saudades. Ciclos que se fecharam.
BF

“…Enquanto não encerramos um capítulo, não podemos partir para o próximo. Por isso é tão importante deixar certas coisas irem embora, soltar, desprender-se. As pessoas precisam entender que ninguém está jogando com cartas marcadas, às vezes ganhamos e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é."

Fernando Pessoa

imagem BF

domingo, 4 de outubro de 2009

domingo, 13 de setembro de 2009

Conheço o Sal

Conheço o sal da tua pele seca
depois que o estio se volveu inverno
da carne repousando em suor nocturno.

Conheço o sal do leite que bebemos
quando das bocas se estreitavam lábio
se o coração no sexo palpitava.

Conheço o sal dos teus cabelos negros
ou louros ou cinzentos que se enrolam
neste dormir de brilhos azulados.

Conheço o sal que resta em minhas mãos
como nas praias o perfume fica
quando a maré desceu e se retrai.

Conheço o sal da tua boca, o sal
da tua língua, o sal de teus mamilos,
e o da cintura se encurvando de ancas.

A todo o sal conheço que é só teu,
ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
um cristalino pó de amantes enlaçados.

Jorge de Sena

(imagem roubada com estilo a um companheiro de viagem)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Balada de Lisboa



Em cada esquina te vais
Em cada esquina te vejo
Esta é a cidade que tem
Teu nome escrito no cais
A cidade onde desenho
Teu rosto com sol e Tejo

Caravelas te levaram
Caravelas te perderam
Esta é a cidade onde chegas
Nas manhãs de tua ausência
Tão perto de mim tão longe
Tão fora de seres presente

Esta e a cidade onde estás
Como quem não volta mais
Tão dentro de mim tão que
Nunca ninguém por ninguém
Em cada dia regressas
Em cada dia te vais

Em cada rua me foges
Em cada rua te vejo
Tão doente da viagem
Teu rosto de sol e Tejo
Esta é a cidade onde moras
Como quem está de passagem

Às vezes pergunto se
Às vezes pergunto quem
Esta é a cidade onde estás
Com quem nunca mais vem
Tão longe de mim tão perto
Ninguém assim por ninguém


Manuel Alegre, in "Babilónia"

domingo, 23 de agosto de 2009

Momentos


Recuo
Passo ao lado do que sinto
A vida condiciona-me a forma e o querer
Preciso do tempo
Aquele
Que deixei passar sem o querer sentir
Mas esse passou
Já não o consigo recuperar
Hoje
Tento viver novos momentos
Projectados no espelho do passado
Reflexo do sonho que pensava realizar
Sonho
Que se tornou difuso
Nas memórias de tantas horas
De infindável espera
Matei-o
Nas águas turvas em que bebi
Pequenas gotas
Na sofreguidão da secura desta vida
O olhar
Que não consegue captar
O brilho das estrelas
Cintilantes no firmamento
E o coração
Que sente sempre a melancolia
De uma noite de escuridão
Atrás de umas tantas que passaram
E tenho sede
E fome de quer
Agarrar uma nova claridade
Iluminar este viver

BF
Imagem Bigmac - Olhares.com

sábado, 15 de agosto de 2009

Doze ramos na minha árvore...


(Parabéns filha)

Já plantei a minha árvore.
Ela cresce bela e vistosa.
É a mais bonita da floresta.
Vida…
Semente…
Plantado com a ajuda do vento.
Germinada com amor.
Sorri…
Chora…
Pelos mesmos pequenos nadas,
Pelos quais, um dia, eu também chorei.
Sinto que os seus ramos estão a ficar mais fortes.
Alarga horizontes.
Novas descobertas.
E eu
Tenho medo…
Que um dia a minha árvore
Se possa queimar.
Nas chamas que a vida
Teima em ascender.
Medo que não a possa continuar
A proteger.
Doze ramos…
Hoje está resplandecente a minha árvore
Nos seus doze ramos.


BF

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Sou

Por do sol sobre o mar de Porto Covo

terça-feira, 21 de julho de 2009

Ilha


Refúgio
Porto seguro
Em mar revolto
Ilha escolhida
Gaivota que prendes no teu olhar...
Solitário vaguear
Ilha perdida
Neste constante naufragar...
Ânsia de chegar
Ilha sonhada
Por circundantes marés embalada...
Ilha encantada
Lenda por jograis apregoada
Escondendo amares...
Ilha sofrida
Vergastado rochedo
Encanto e pecado
Ilha!
Parte cheia deste mar...
Nós!
Eterno baloiçar...
Jangada à deriva
Eterno marejar!
BF




segunda-feira, 13 de julho de 2009

Al-Berto.. porque me apetece


deus tem que ser substituído rapidamente por poe-
mas, sílabas sibilantes, lâmpadas acesas, corpos palpáveis,
vivos e limpos.

a dor de todas as ruas vazias.

sinto-me capaz de caminhar na língua aguçada deste
silêncio.
e na sua simplicidade, na sua clareza, no seu abis
-mo.
sinto-me capaz de acabar com esse vácuo, e de aca-
bar comigo mesmo.

a dor de todas as ruas vazias.

mas gosto da noite e do riso de cinzas. gosto do
deserto, e do acaso da vida. gosto dos enganos, da sorte e
dos encontros inesperados.
pernoito quase sempre no lado sagrado do meu cora-
ção, ou onde o medo tem a precaridade doutro corpo.

a dor de todas as ruas vazias.

pois bem, mário - o paraíso sabe-se que chega a lis-
boa na fragata do alfeite. basta pôr uma lua nervosa no
cimo do mastro, e mandar arrear o velame.
é isto que é preciso dizer: daqui ninguém sai sem
cadastro.

a dor de todas as ruas vazias.

sujo os olhos com sangue. chove torrencialmente. o
filme acabou. não nos conheceremos nunca.

a dor de todas as ruas vazias.

os poemas adormeceram no desassossego da idade.
fulguram na perturbação de um tempo cada dia mais
curto. e, por vezes, ouço-os no transe da noite. assolam-me
as imagens, rasgam-me as metáforas insidiosas, porcas. ..e
nada escrevo.
o regresso à escrita terminou. a vida toda fodida - e
a alma esburacada por uma agonia tamanho deste mar.

a dor de todas as ruas vazias.

Al-Berto

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Passagens


Nas águas do rio passaste
Saltitando, por entre as rochas que foram o teu sentir.
Na brisa do vento passaste
Esvoaçante, nas carícia fugazes trocadas.
No sol de verão passaste
Raiando, três invernos de silêncio…
Em que acreditei só poder existir
Se tu existisses em mim.
Mas nesta passagem tu nunca quiseste passar…
E eu existo, sou e sinto para além de ti …
E noutras passagens pensei que tinhas passado,
E não.
Voltavas sempre como se o vento, o rio e o sol, só existissem em mim
Através de ti….
Não te quero passar nas lembranças.
Há um tempo de estar e um tempo de passar no conjugar este verbo,
….e a minha conjugação do verbo amar por ti passou… e tu, nada fizeste para que ele permanecesse aqui….
Deixaste-lo passar!
BF

Foto de minha autoria

segunda-feira, 29 de junho de 2009

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Jogador

Numa cartada jogar a vida
Sem que a sorte se volte para si.
Acaba sempre de bolsos vazios,
Num retorno a casa triste!
Carregando consigo o peso dos sonhos
Que os dados elevaram ao serem lançados ao ar.
De novo... arrasta a esperança perdida!
Roleta que não para de girar!
Um dia... um dia a sorte haveria de mudar.
Por agora,
Enrola a sorte na camurça da mesa francesa
E, carrega consigo a esperança
... nos bolsos vazios!

BF
Imagem google

domingo, 21 de junho de 2009

Muitos homens que são ninguém....




"... Na cidade, um homem a descer a rua é ninguém. Na cidade, há muitos homens a descerem cada uma das ruas. Na cidade, há muitos homens e muitas ruas, como há muitos livros nas livrarias. Muitos livros de capa branca, muitas vidas entre duas capas brancas, com um título e com o nome do autor. Muitos homens, cada um com o seu nome, muitas vidas a descerem ruas. Muitos homens que são ninguém quando, calados, descem uma rua da cidade."


José Luís Peixoto, in Uma Casa na Escuridão

O Escritor fotografado por mim na Rua Augusta em 2014 enquanto posava para outros fotografos

sábado, 20 de junho de 2009

Porta Fechada



Há sempre um despertar.

O sonho é um por do sol escondido por detrás da serra.

Todos os dias se esconde, e por vezes, renasce nas madrugadas.

Nas paragem que a vida nos força a fazer, muitas das vezes, não as sabemos aproveitar para repensar o nosso caminhar.
A vida tem-me dado algumas paragens amargas.

Nem sempre tive a coragem para enveredar por um novo rumo.

Será que existe prazer na rejeição? ! será esse o motivo que nos leva a bater tantas e tantas vezes com a cabeça na mesma porta fechada?

Nem sempre é fácil.

Hoje não está a ser fácil a decisão que tomei de te fechar a porta.

Desculpa mas a porta não mais se irá abrir.


BF

terça-feira, 16 de junho de 2009

O meu regresso à claridade


Há muito que tinha fechado janelas. Rodava pela sala escura ao ritmo compassado dos meus próprios passos que, teimosos, pisavam sempre as mesmas tábuas. Escritas de amarguras. Depois, há segredos que se revelam sozinhos! A realidade é aquela que tem estado sempre ao alcance do meu olhar e que teimava em ver através da neblina da ilusão. Fechei portadas que durante tanto tempo permaneceram abertas, e pelas quais de vez em quando entrava uma réstia de luz. Agora é tempo de sair para a rua, apanhar toda a luz que ainda me pode iluminar.

BF

Foto minha

sábado, 30 de maio de 2009

Podes ser tu …




Homem que pintas o olhar do escuro com que carregas a vida,
Armas com que feres semelhantes, nesta tua simples passagem.
Vagueias sombras que te perseguem os passos…Arrastas o teu caminhar pelas ruas mais soturnas da cidade,E encaras o amanhecer com os olhos serrados,Não queres que a luz atraia a réstia de esperançaQue ainda tenta romper pelo canto do teu olhar...Alguém poderá ver!E depois como esconder que ainda sonhas?Com amanhãs de esperança renascida,Alegrias de casas cheias de sorrisos…Que ficaram atrás da soleira da portaQue batestes ao partir…Contas os degraus que desces para tentar perceberSe um dia, alguém terá coragem de te ajudar a voltar a subi-los!Deixas as memórias esquecidas nos bancos de jardim .Vês o tempo passar apressado nos passos dos que contigo se cruzam…E, o teu tempo é o leve arrastar da folha pelo vento ,É o cuidadoso mas atrevido debicar dos pássaroNas migalhas que te caiem por entre os dedos.Pois na vida só já encontras migalhas…Pequenos pedaços do nadaDe outra VIDA que alguém deixou cair!Tu Homem cansado do escuroQueres escolher as ruas largas para o teu caminhar,Entrar na multidão, alcança o degrau e dar o primeiro passo…Outros se seguirão, se ainda for essa a escalada que te move,
Se ainda houver a tal réstia de brilho no olhar.

BF

Foto de minha autoria

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Talvez...


"Penso: talvez haja uma luz dentro dos homens, talvez uma claridade, talvez os homens não sejam feitos de escuridão, talvez as certezas sejam uma aragem dentro dos homens e talvez os homens sejam as certezas que possuem."
José Luís Peixoto, in Nenhum Olhar

(foto de minha autoria)

domingo, 17 de maio de 2009

Correntes

Caiu a armadura
Com as palavras
O desejo em linhas paralelas
Em nossas vidas
Encontro do rio com o leito deste mar
Que trago sempre pronto
Para teu desaguar.
E voltar a ser a prisão que fui
Como carcereira de mim...
Porque assim me impões
Solidão....
Dias de espera que a vida nunca me devolve
Em tua companhia.

BF

(foto minha)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Novos ventos


O vento sopra forte
Transporta o teu sorriso
Pétala de rosa esvoaçante
Vento desalinho
Cabelos soltos
Invisíveis mãos
E invento madrugadas
Em que me abrigo
Nesse teu corpo
Feito vento
Que me trespassa
E a fúria
Não passa do desejo
Com que me entrego
E me deixo levar
Nas tuas mãos de vento
BF

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Direito e Dignidade no Trabalho



Pela primeira vez levei a minha filhota às comemorações do 1º de Maio – Dia do Trabalhador

Já um pouco cansada de estar ali perguntou:
- Mãe que faço aqui...ainda não trabalho?
Simplesmente respondi “.... espero que quando cresceres, para além de teres trabalho, também tenhas direitos e não só obrigações que é já só quase o que a mãe tem”
BF
Imagens nossas

terça-feira, 28 de abril de 2009

Para um amigo...


Desces por escarpas íngremes e sentes...
E sabes, o quanto te vais custar voltar a subir...
Chegares ao cume da montanha da tua vida.
Voltares a elevar o olhar sem que vislumbres
Negras nuvens no horizonte.
No sopé estão todas as pegadas das lembranças,
Das mágoas de um passado que não te querem deixar
Partir...
No entanto tens o desejo de descolar,
Como pássaro em busca de nova paragem.
E tens o amanhã na distância desses passos.
Essas escarpas rochosas que te ferem o corpo cansado,
Não passam de lembranças.
Vira-lhes as costas!
Há um caminho que podes sempre escolher.
Aquele que ninguém percorrerá por ti, mas que também
Não terás de percorrer sozinho...
Mesmo que te sintas numa enorme solidão,
Nunca serás palavra só!
Estás presente no olhar e no carinho de pessoas
Que muito te querem.... exactamente como és,
Único nessa tua forma de gostar e mimar.
Estares aqui neste canto de coração é como
Sentir a tua presença no sofá da sala...
Uma mão suave sobre a nuca...
Encontrar o calor do olhar.
No entanto teimas em descer....
Continuas a descer...
Mas eu quero te ver no cume da montanha.
Quero que sintas as mãos que te amparam na subida...
Quero voltar a ver um sorriso que desanuvie
Essa nuvem que te assombra o semblante.
Há um novo amanhã!
Mesmo que o hoje nada diga... vai sempre haver um amanhã,
Em que tu estarás lá.... sempre... subindo!
Eu sei.
Eu sinto...
Ainda acredito nesse amanhã.

BF
(foto minha)

sábado, 25 de abril de 2009

Nascer Abril de Novo


E Hoje Nasceu Abril
Assim numa madrugada
As palavras surgiram nos olhos
Que silêncios serraram
E Abril abriu...
E ficou assim numa canção
Eterna na tua mente.
Transportas a cor de Abril
Pintas com ela a cidade
Alastra pelas ruelas
E há tantas mãos abertas
Que para as tuas se estendem
E agarras e sorris!
Não sabes ...não entendes!
E Gritas é Liberdade!
Abril passou ....
Abril Ficou...
E Tu .. esperas o Abril que Nasceu Hoje.

BF
(foto de minha autoria)

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Fado do Contentor

foto minha

Cada vez mais as politicas de “Fazer Cidade” vão contra o ambiente, no sentido de tornar a cidade uma prisão fechada em si mesma. Haja mais vozes como esta de Manuel Alegre. Temos o direito de discordar da Ampliação do Terminal de contentores de Alcântara que esconderá mais o rio da cidade
BF




Já ninguém parte do Tejo
Para dobrar bojadores
Agora olho e só vejo
Contentores contentores.

E do Martinho Pessoa
Já não veria o vapor
Veria a sua Lisboa
Fechada num contentor.

Por mais que busques defronte
Nem ilhas praias ou flores
Não há mar nem horizonte
Só contentores contentores.

Lisboa não tem paisagem
Já não há navegadores
Nem sol nem sul nem viagem
Só contentores contentores.


Entre o passado e o futuro
Em Lisboa de mil cores
O sonho bate num muro
De contentores contentores.

Por isso vamos cantar
O fado das nossas dores
E com ele derrubar
O muro dos contentores.


Manuel Alegre

domingo, 18 de janeiro de 2009

domingo, 11 de janeiro de 2009

A Minha Filhota

O primeiro post de 2009 vai para ti filhota.
AMO-TE
BF
(e como gostas tanto da música do João Portugal ... aqui fica durante uns tempinhos)