domingo, 27 de novembro de 2016

Passagens da natureza


Foi por certo a mais bela rosa daquele pé de roseira. Enquanto botão ansiava desabrochar para a todos inebriar com o seu cheiro e beleza. Uma curta passagem de deslumbramento. Suas pétalas envelheceram, enrugaram. Agora, olha os outros botões a desabrochar com a sabedoria da sua passagem pelo roseiral das ilusões. Só lhe resta deixar cair ao chão as suas pétalas velhas. Talvez, entre as muitas pisadelas de passos apressados, alguém recolha uma das pétalas e a guarde entre as folhas do livro preferido. Assim continuará a ser admirada sempre que este for desfolhado.
BF




Fotos de minha autoria 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

É isto o amor


É Isto o Amor

Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, queme esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste amanhã da minha noite. É verdade que te podiadizer: «Como é mais fácil deixar que as coisasnão mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmosapenas dentro de nós próprios?» Mas ensinaste-mea sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,até sermos um apenas no amor que nos une,contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor:ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tuavoz que abre as fontes de todos os rios, mesmoesse que mal corria quando por ele passámos,subindo a margem em que descobri o sentidode irmos contra o tempo, para ganhar o tempoque o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,de chegar antes de ti para te ver chegar: coma surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de águafresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:a primavera luminosa da minha expectativa,a mais certa certeza de que gosto de ti, comogostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.


 Nuno Júdice, in 'Pedro, Lembrando Inês'

Foto de minha autoria 

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A beleza


Primeiro são as cores e só as cores
que te prendem o olhar.
Depois vem o cheiro…
Nasce da terra como simples erva,
abre-se aos olhos do mundo
e morre !
No mesmo pé, que lhe sustenta
a beleza, cai na leveza de um sopro…
O ciclo de todos os seres.
Num ilusório perene….
leve
frágil

breve!

BF 

(foto e palavras de minha autoria) 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Caminhos entrelaçados



Vergas nos dias
nas passadas cruzadas
por caminhos entrelaçados
que os passos sabem de cor
e esperas as horas...
para o regresso cansado
pelos mesmos caminhos
cruzados...
em que entrelaças...passadas!

BF

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Sentires ao sabor do vento



Não me falem de temporais ou do vento que vos dificulta o caminhar pois, o vento, sou eu que o sinto no acariciar das minhas folhas. E quando elas caiem, remoinhando ao seu sabor, são pedaços de mim que se afastam para sempre.

BF


Foto da minha autoria

sexta-feira, 4 de março de 2016

Desde que te conheço



Desde que Te Conheço
Invade-me uma grande calma quando penso em ti. Sinto-me bem, disposto para as mais difíceis tarefas, para os mais complicados e demorados trabalhos.Já não é na turbulência das noites (vividas na pressa) que encontro a vontade de escrever. As noites cansaram-me, ia acabando comigo de vez na desordem e na ânsia de viver. Claro que continuo a sair à noite e a amar esse espaço fantástico que é a cidade. Esta cidade que amo, mas tu estás nela também. a cidade mudou desde o instante em que nela entraste. Já não percorro a noite numa angústia que se esquece e anula na bebedeira, ao nascer do dia. Desde que te conheço tenho levado uma vida bastante regrada. Deixei de beber. deixei de andar por aí a ver se alguém me pega ou se eu pego em alguém. Acabou. Tenho-te e sinto uma felicidade estranha a dominar-me. Trabalho calmamente, com vagar, e avanço sem ser aos tropeções. Leio e releio o que escrevo. Tudo se torna, de texto em texto, mais preciso, mais próximo do que penso. Escrevo somente (como de resto sempre fiz) o que me dá gozo e ao mesmo tempo me perturba. Por isso odeio tanto reler-me. Sinto-me perturbado. O que ficou escrito foge-me, parece já não me pertencer. No entanto, sei que estou ali, por trás de cada texto escrito. Sinto que são ainda parte integrante de mim - raramente me consigo desligar (friamente) do que escrevi, mesmo que o tempo tenha tentado apagar as motivações que me levaram, na altura, a escrever o que ficou escrito.

Al Berto, in "Diários (26 Abril 1991)"

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Palmas



Por vezes há que bater palmas ainda que o verdadeiro espectáculo esteja a acontecer fora do palco!
BF 

sábado, 23 de janeiro de 2016

Pérolas da natureza


Lágrimas da natureza neste meu deambular....

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Ruína


Há muito tempo que as portas se fecharam ….
mas por detrás das vidraças continuam as cortinas dependuradas no tempo
……pode sempre entrar uma réstia de luz!
Lá dentro a mesa está arrumada com as cadeiras no devido lugar. Espera que lhe caia a toalha e os pratos em cima. Sente os pontapés da criançada nas suas pernas, nos momentos em que se sentia cheia, sem espaço ao seu redor.
Afinal não foi o prato que lhe caiu em cima. Foi a primeira das muitas telhas que aos poucos se desprendem do telhado.
A ruína anunciada. A chave nunca mais deu a volta à fechadura.
A seguir ao telhado cai o estoque. A parede desmorona e a cadeira não será mais que pedaços de tábuas no chão…..
das muitas horas que foi aconchego.
BF

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

As flores também choram


E falavas na orvalhada que fica nas flores numa manhã fria e solarenga. Se as pétalas choram? não sei. Mas sei que o mar do olhar também transborda como qualquer maré cheia, de sentir. Depois, um poeta do nosso tempo diz que "as lágrimas são o mel dos olhos" e eu acrescento que será para quem o não souber colher. Talvez com um beijo. Será que as flores choram?

BF

domingo, 19 de abril de 2015

Janelas de Lisboa


Lisboa é mulher vaidosa que abraça o Tejo, apregoa pela ruas e chora um fado numa qualquer taberna escura....
... e quando o sol cobre de prata as águas em que chora as mágoas, despe o traje noite e cobre-se de luz.... Lisboa resplandece!
BF





segunda-feira, 30 de março de 2015

Uma noite ao fundo



Noite,
obscura viagem
lágrimas, gritos, pedaços  de nós perdidos
na noite , nos momentos que somos almas viajantes em corpos desencontrados
No fundo....
Consegues  encontrar-me?
estou aqui....
perdida
uma noite ao fundo
e a vida só pode estar no amanhecer
e eu não te vejo na luz pois ao meu redor só há mesmo escuridão,
sombras e pedaços de vida
Estica a mão! Toca....toca-me!
sentes? sou mais noite
pedaço de breu....
e tu? não me consegues encontrar...ao fundo
uma noite!
BF


Foto e palavras de minha autoria

domingo, 29 de março de 2015

Herberto Helder - Sobre o Poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
— a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

— Embaixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.

— E o poema faz-se contra o tempo e a carne.


Herberto Helder

Foto de minha autoria

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Brilha no olhar os tempos passados


Brilha-lhe o olhar no recordar os tempos passados
E fala do revolver a terra e as gentes
Aquelas que foram saltando as fronteiras
Num tempo longínquo em memórias de fome…
As que ficaram  por lá para nunca mais regressar,
cobertas por uma terra que as não viu nascer.
Conhece as rochas e os pinheiros
 linhas invisíveis que dividem o pedaço de terra que ama…
cavar, alisar , ancinhar, mondar …. Terra fecundada pelo suor do seu esforço
depois germinam “e havias de ver que bonitas estão as favas! Já têm uns rebentinhos. E a figueira que plantei ao cimo da vinha! já o ano passado deu a prova com três figuitos!”
Depois são as  gentes, as memórias vivas que guarda como se um livro de registos desejoso de ser aberto.
“Então não conhecias? Não te lembras? Era filho de fulano que casou com a “garotita” do que mora lá em  baixo…..”
Assim contínua, num desenrolar de histórias e memórias que carrega consigo e partilha com quem o sabe ouvir.  
Gostava tanto de ter tempo para te ouvir e registar em livro para que nunca se acabem essas memórias.

BF

sábado, 6 de dezembro de 2014

Luzes no meu caminhar



Porque há sempre uma luz no meu caminhar
mesmo no caminho mais enlameado
para que não escorregue nem tropece nas
pedras soltas.....
que teimam em aparecer pela calçada deste meu percurso de vida!


BF

Foto de minha autoria

domingo, 9 de novembro de 2014

Amor



Amor

o teu rosto à minha espera, o teu rosto
a sorrir para os meus olhos, existe um
trovão de céu sobre a montanha.

as tuas mãos são finas e claras, vês-me
sorrir, brisas incendeiam o mundo,
respiro a luz sobre as folhas da olaia.

entro nos corredores de outubro para
encontrar um abraço nos teus olhos,
este dia será sempre hoje na memória.

hoje compreendo os rios. a idade das
rochas diz-me palavras profundas,
hoje tenho o teu rosto dentro de mim.


José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"

Foto de minha autoria 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Alagas-me



Alagas-me a existência com as chuvas de outono

BF

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Cais de Abrigo



Aqui
entre memórias
há um rio de saudades
e o cais... de abrigo.
Meu porto seguro.

BF

Os olhos da mulher estátua



Foto de minha autoria 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Menos...muito menos



Mais que um livro esquecido na estante

De páginas soltas e histórias esquecidas

Mais que um sonho levado pelo vento

Em manhã de tempestade

Mais, muito mais que o desejo de te ler

Nas palmas da mão o destino traçado

Menos, muito menos de ti encontro

No mais desejo que trago em mim  


BF 

sábado, 20 de setembro de 2014

O triste fado


Fadado ao abandono no palco do cais

a vida é barco que passa
e o passado esquecido
bebido num trago amargo
e a palavra futuro esfumada
... pelo vento arrastada

FB

domingo, 10 de agosto de 2014

Destino

Por Fragas nuas de encontro ao vento... caminhar. Cumpra-se o destino!


sábado, 2 de agosto de 2014

Espera


Parado no tempo que o tempo define
imune aos sentidos na espera da vida
que a pedra se parta
o grito se solte
e  a vida comece....
... sem espera!
BF  

sábado, 12 de julho de 2014

Cabaz da merenda


O cabaz da merenda de outros tempos, de quando a "jorna" no campo era o ganha pão. Pensámos terem ficada esquecidas num Portugal rural, mas não.....obrigaram-nos a ressuscitá-lo e passou a ser adereço pessoal, quase de moda, nos que, nas horas de ponta, se deslocam para a sua "jorna" citadina. Chamamos-lhe lancheira. Mas como em tempos idos...trás lá dentro os restos que ficaram da janta.!
BF


Foto de minha autoria


domingo, 6 de julho de 2014

A pasteleira



"Paulo dobrou o casaco, pô-lo no porta-bagagens e pegou na bicicleta. Baixo, desasado, uma repa de cabelos brancos aparecendo sob a boina à espanhola, os óculos de tartaruga descaídos, a queimadura na cara, a mão entrapada, parecia um pobre diabo incapaz de fazer qualquer coisa de sério.

- Tu sabes andar de bicicleta? - perguntou Ramos subitamente na sua voz alegre, divertido com a figura do camarada, mas sentindo-se entretanto sem saber porquê um tanto comovido.
Paulo levou a bicicleta até ao carreiro. Aí pôs um pé no pedal, deu um, dois, três. quatro galões com o outro pé (- Ele sabe! Ele sabe! - gritou Ramos gargalhando) e ei-lo sentado no selim. A bicicleta deslizou carreiro abaixo, encurvou perigosamente à direita, depois à esquerda (- Ele cai! Ele cai! - exclamou Ramos pondo-se de pé) e novamente se endireitou. A bicicleta voltou ao meio do carreiro e, agora serena e silenciosa, levando o vulto de Paulo com a cabeça tão encolhida entre os ombros que apenas se via a boina à espanhola, foi-se afastando até desaparecer com o próprio caminho."

Manuel Tiago / Álvaro Cunhal 



quinta-feira, 3 de julho de 2014

Perdida


Perdida num dia de Dezembro/06 em que disseste "Empresta-me a mão"
Emprestei.... e não devolveste......as minhas ficaram vazias
BF

sexta-feira, 27 de junho de 2014

sábado, 21 de junho de 2014

A bailarina



"...Bailó primero con los ojos y con sus párpados alados de pestañas.
¡Entre sus dos manos, su cabeza pesaba lo que pesaba el mundo!
Por último, su rostro se iluminó,
dio tres pasos, arqueó su cuerpo,
y sus manos extendió desesperadamente...
y de pronto se irguió y nos las regaló abiertas
después de aprisionar el perfume ondulado de las rosas..."

(Final do poema árabe A Bailarina, escritor anónimo, do Livro Jardim das Carícias, que foi pela primeira vez traduzido e publicado em Francês por Franz Toussaint.)

Optei pela versão Espanhola pois foi aí que foram encontrados os manuscritos

Foto de minha autoria

BF 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Mar



Mar
  
Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.

E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Poesia I


Fotografia de minha autoria

quinta-feira, 12 de junho de 2014

terça-feira, 3 de junho de 2014

As rosas murchas do teu jardim



Assim vai definhando
tudo o que foste em mim 
pétala a pétala 
por entre as rosas secas do teu jardim
BF 

domingo, 27 de abril de 2014

A cada passo vou sentindo o chão


E eu levantei-me devagar
E a cada passo fui sentindo o chão
Libertei-me desse abraço e aprendi a caminhar
E agora já não canto essa canção
(Miguel Gameiro) 

Aprendi contigo.... JLM 

terça-feira, 25 de março de 2014

Passeios da cidade

Um dia, talvez os passeios da cidade sejam mesmo só passeios!


sexta-feira, 21 de março de 2014

Primavera


É Primavera, tempo de abrir janelas e deixar florir o olhar!
BF  

sábado, 15 de março de 2014

Passageiros


Desculpa o tempo que perdemos em caminhos desencontrados,
Pois nada vida nada mais somos que simples passageiros.
Partimos com o entusiasmo da desconhecida viagem.
Juntamos bagagem, mudamos rotas, mesmo sabendo que o destino está lá…
Marcado no tempo que urge.
Pensávamos ser  capaz de o mudar!
Depois... quando retorna-mos ao cais de embarque
Despojamo-nos de tudo…
Só faz falta sentir a mão
Que te ajudará a embarcar!

BF



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A Paixão


A paixão, qual pena que vagueia ao sabor do vento, num vendaval de emoções se esvai.....

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Lisboa no teu olhar


Olho-te Lisboa, com a curiosidade de criança e a paixão de mulher que em tuas ruas desfila. Encontro-te por Alfama e tomo-te na Mouraria. Peço perdão ao Fado que te canta primeiro, pois meu fado é amar-te em cada olhar...meu!
BF









domingo, 19 de janeiro de 2014

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Virar à esquerda



Há sempre um tempo em que nos é permitido mudar de direcção ...
A escolha é tua!
BF

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Quiosque Biblioteca


Um excelente aproveitamento deste mobiliário urbana para fins culturais. Jardim da Estrela- Lisboa

domingo, 13 de outubro de 2013

Escrevo






Palavras vagas, gastas e ecos
Difíceis de chegarem aos teus ouvidos
A idade turva-te a razão e os sonhos impulsionam-te a rebeldia.
Sinto o muro entre nós …. Um dia… sim um dia vai ser quebrado. 
Quando a idade te fizer olhar o passado com a saudade das palavras não ditas.
Tenho tantas palavras que não consigo passar para o papel pois estão escritas cá dentro e a tinta esborrata-se no desejo do esquecimento. 
Tento tirar a folha e lança-la ao vento para que nunca mais ninguém as possa ler.

Espero... um dia de ventania!
BF

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Por entre as Rochas




Somos efémeros por entre as memórias que os tempos marcaram neste caminhar.

BF