quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A Casa

No retorno a  casa
A esse soalho tantas vezes pisado
Por pés cansados  
dos passos que vida delineou
Tábuas  gastas  de árvores caídas …
Sons embutidos,  gargalhadas, sonhos, esperanças
…Perdidas ….lágrimas , paredes com vida!
A lareira apagada de carvão negro
De negra que foi fadada
E a tenaz esquecida
Num chão de cinzas
Que foram chamas, fogo , brilho
….reflectido…. espelho ,   alma da casa!
E retorno a casa
Soalho gasto
Lareira apagada
Pedras frias
Aconchego perdido.

BF
(imagem minha)

domingo, 19 de junho de 2011

Fera


Um dia vou virar fera
Gritar como louca na serra
Fazer o meu chamamento
Escutar tua resposta
Nos enrolarmos em fúria
Desejo ardente
Em recanto escuro
Numa qualquer caverna
Nos amaremos como feras
E seremos carne e suor num só
Fluídos de nós
E quando cada um seguir o seu trilho
Levará na pele a tatuagem
Marcada pela paixão
BF
(foto minha)

domingo, 29 de maio de 2011

Regresso




Um dia faço as malas e embarco no comboio. Não no inter-cidades, mas no regional que, como há 28 anos atrás aquando do meu êxodo rural, levava 7 horas de viagem, e regresso de vez às origens de onde nunca deveria ter saído.
BF
Fotos minhas

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Foi Assim



Assim foi
Num pequeno poema
Uma pétala de folha no teu livro
De azul pintaste a tela
E numa pincelada lilás
Fizeste a minha alma florir
E assim foi
Libélula perfeita por sobre a seara
Viagens realizadas por novos rumos
Sonhos que fomos num perfeito acordar
Estrada que nos leva
Arco-íris
E assim pintámos este quadro
Vida
BF
(foto minha)

sábado, 30 de abril de 2011

Como As Espigas


Finalmente (embora
saibas que não há
nem fim nem princípio):
deves dizer ainda
que há uma rosa de espuma
no teu peito e que
o seu perfume
não se esgota. E que lá
também existe
uma fonte onde bebem
as flores silvestres. Mas não
humildes, como ias
chamar-lhes: altas
como as espigas
do vento, que no vento
se esquecem e que no vento
amadurecem.



Albano Martins
in Escrito a Vermelho

(foto minha)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

ABRIL


Porque ainda acredito nos valores de Abril.
(Foto Minha)

domingo, 17 de abril de 2011

Estória Encantada

Castelos erguidos no cimo de escarpas

Penedos íngremes a superar

Rasgando a carne na escalada

Num esforço estremo para alcançar

Árvores frondosas

Troncos desnudos

Na ténue linha do teu olhar

Utópicos vislumbres do meu sentir

Verde ondulante deste mar

Que afoga o sonho e mareja a vida

Fonte que corre

Terra arada

E em teu redor semeias quimeras

Que florescem num tempo por encontrar

Vagueando em recônditas veredas

Que o sonho teima em desbravar

Castelos encantados

Estória a reinventar

BF

(foto minha)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dois poemas


O poema da árvore da vida e o meu mais perfeito poema a crescer feita árvore.

Imagem minha - Castelo de S. Jorge

sábado, 2 de abril de 2011

Velejando em ti


Quando o dia finda e a noite de breu envolve a terra
Elevamos o espírito na magia do murmurar das ondas sobre as rochas.
Nesse barco, outrora vergastado pelo mar que imana os teus sentidos,
Fizeste o leito dos desejos , nos quais, noite após noite, me envolves.
Nos teus cabelos cheiro a maresia e na pele com que me cobres
Saboreio o sal que te temperou…. nesse constante navegar.
O véu do luar que nos revela é também luz que nos incendeia o corpo.
E ficamos noite fora, fogo e mar… velejando o barco ao sabor do amar.
BF

(foto minha - Cabo da Roca)

terça-feira, 29 de março de 2011

Flores caídas entre as rochas

Apanhei.

As pétalas perdidas pelo caminho

Recolhi.

Guardei-as, nas folhas de um livro,

A reler.

Sempre que a saudade apertar

Reviverei,

A memoria suave da pétala seca,

Com que marquei

Tua pele , no livro do teu corpo

A escrever…

Com as rosas caídas que encontrar,

E apanhar!

Por entre as rochas que,

Enredam

O nosso caminhar.

BF


(foto minha)

segunda-feira, 28 de março de 2011

Mais de mim


Poder dizer-te que passei

A fase sofredora deste amor,

E ver no teu olhar o desespero

De já não estar ali.

Tremerem-te os lábios de saudade

Dos beijos que trocamos

Dos carinhos que fizemos

Das palavras que dissemos

E o sentires…

Que sempre que te olhei

Fui Primavera…

Floria em ti,

Desabrochava ,

Depois da agreste espera.

E me entregava…

Para inteira me colheres

E levares contigo,

Envolvido na ternura de um olhar.

E poder dizer-te que espero,

De novo, me envolver em teus braços...

Saber que finalmente és meu abrigo,

Meu cais… minha rocha ….minha vida

BF


(foto minha)

sábado, 26 de março de 2011

Beija-Flor



E quis na noite acordar teu corpo
Cansado das memórias de um passado
Que guardas só contigo…
E quis amar-te feita beija-flor
Adormecer ao teu lado como
Concubina e acordar mulher …
Aquela que sempre te espera
E não diz:
- não!
Despreza os dias e a vida
No espaço leve do sonho
Em que sempre voltas…
Passagens longas de recordações breves
De um coração que teima em continuar
Preso na fugaz passagem
Do teu olhar.
BF
(foto minha)

sexta-feira, 25 de março de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Círculo da vida

Círculo de vida

Poema virado do avesso

Um fio partido … ténue esperança


BF

Relembro a guitarra … aquela música que não significava coisa nenhuma

Lembras?

“ Je t’aime se me deres um Citroene

I Love You se me deres um BMW

Amar-te-ei se disseres sim uma vez

E te darei o carinho e a bondade

E o afecto de um amor tão português

Se te digo que te amo não acreditas

Mas é essa a razão do meu viver

Se te digo que é por ti que estou vivendo

Tu me dizes que preferes é morrer”

A única musica que te vi compor … Nunca mais esqueci estes versos que trauteavas constantemente. Os bailes de aldeia num conjunto onde tocavas baterista e onde me levavas como irma mais nova, e sempre debaixo do controlo do olhar. A forma como me pedias que junto da mãe arranjasse dinheiro para compares o tabaco…. já que não tinhas coragem para seres tu a pedir. Não o deveria ter feito.

Quando eu era bebé e a mãe te deixava a tomares conta de mim beliscavas-me para chorar e te livrares da tarefa de “ama-seca”. A Brincadeira estava esperando por ti! …. Claro que um dia ela descobriu a razão de eu chorar sempre que estava ao teu colo e aí houve uma colher de pau partida nas tuas costas…..

Mais tarde, numa briga entre ti e a Lurdes acabei por ser apanhada no meio e ficar com um joelho partido. Claro que me aproveitei para mesmo já boa e a conseguir andar, fingir que não e vos obrigar a andar comigo ao colo….

Tenho tantas recordações da nossa infância…

Hoje precisas que eu te dê uns beliscões que te prendam de novo à vida …. Ainda tens muito para sonhar …tu que sempre foste um sonhador.

Estou a beliscar-te. Estás a sentir?

BF

Foto minha