quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Quanto de ti, amor

Porque gosto muito deste poema de Jorge de Sena
Porque não me apetece falar de mim...
______
Quanto de ti, amor, me possuiu no abraço
em que de penetrar-te me senti perdido
no ter-te para sempre
______
Quanto de ter-te me possui em tudo
o que eu deseje ou veja não pensando em ti
no abraço a que me entrego
______
Quanto de entrega é como um rosto aberto,
sem olhos e sem boca, só expressão dorida
de quem é como a morte
______
Quanto de morte recebi de ti,
na pura perda de possuir-te em vão
de amor que nos traiu
______
Quanta traição existe em possuir-se a gente
sem conhecer que o corpo não conhece
mais que o sentir-se noutro
______
Quanto sentir-te e me sentires não foi
senão o encontro eterno que nenhuma imagem
jamais separará
______
Quanto de separados viveremos noutros
esse momento que nos mata para
quem não nos seja e só
______
Quanto de solidão é este estar-se em tudo
como na ausência indestrutível que
nos faz ser um no outro
______
Quanto de ser-se ou se não ser o outro
é para sempre a única certeza
que nos confina em vida
______
Quanto de vida consumimos pura
no horror e na miséria de, possuindo, sermos
a terra que outros pisam
______
Oh meu amor, de ti, por ti, e para ti,
recebo gratamente como se recebe
não a morte ou a vida, mas a descoberta
de nada haver onde um de nós não esteja
______
Jorge de Sena

13 comentários:

C Valente disse...

Boa opção
Sauações amgas

Maria disse...

Gosto do Jorge de Sena, mas queria ler-TE....
Saca do vermelho rubro das papoilas a tua alegria para o dia a dia....

Beijinhos

gasolina disse...

Escolha de quem sabe da coisa...

Papoila disse...

Que dizer?
Um poema magn�fico! Que senti palavra a palavra.
Beijos

C Valente disse...

Passei para desejar uma boa noite
Saudações amigas

Claudia Perotti disse...

Presenteou-nos com um excelente poema!

Beijinhossssss

Nélia M. Pereira disse...

CONVITE

A Câmara Municipal de Lousada e a Negra Tinta Editorial
tem o grato prazer de o/a convidar para o lançamento do Livro

Pulsa o Impulso de
Artur Moura Queirós
wwwnolimiar.blogspot.com

com Prefácio de
António Costa Moura,
Fotografia de
Júlio Sousa e Vítor Ribeiro
e Conceito Gráfico de
Fausto Rodrigues

10 Novembro 2007
21h30 |
Biblioteca Municipal de Lousada

Mecenas
da Edição:

AUDI CENTRAL TECH
LABMO

www.editorialnegratinta.blogspot.com

Meg disse...

Como eu te compreendo, Papoila! Por isso temos os poetas que nos emprestam a voz, quando não queremos falar de nós na primeira pessoa.
E o que ele diz, o Jorge de Sena!

Um abraço

poetaeusou . . . disse...

*
Meu corpo, que mais receias?
-Receio quem não escolhi.
-Na treva que as mãos repelem
os corpos crescem trementes.
Ao toque leve e ligeiro
O corpo torna-se inteiro,
Todos os outros ausentes.
Os olhos no vago
Das luzes brandas e alheias;
Joelhos, dentes e dedos
Se cravam por sobre os medos...
Meu corpo, que mais receias?
-Receio quem não escolhi,
quem pela escolha afastei.
De longe, os corpos que vi
Me lembram quantos perdi
Por este outro que terei.
*
in-Jorge de Sena
*
desculpa o abuso,
mas,
perco-me com,
o exilado na USA,
*
xi
*

adrianeites disse...

bela escolha sem dúvida!

Amaral disse...

Nem precisas falar de ti.
Está aqui tudo o que desejavas dizer... só que as palavras já estavam escritas e só precisaste de copiá-las...

C Valente disse...

Saudações amigas

Entre linhas... disse...

Uma excelente escolha...
Bom fim de semana
Bjs Zita